Por que corremos?

Pode parecer loucura, mas o corpo humano é bem preparado para encarar um longão. (Foto: Paulo Sérgio de Freitas)

Muitas vezes ouvimos essa pergunta. Não parece mesmo ser muito racional, por exemplo, correr 100km. Ou quando está quente ou frio demais e ainda assim colocamos o tênis e vamos pra pista. O que a gente sabe é que se sente bem no final, então encaramos o esporte apesar do impacto no nosso corpo. O que talvez muita gente não saiba é que o corpo humano é perfeitamente adaptado para a corrida. E de longa distância.

Em entrevista a Georgia Mills, do site The Naked Scientists, o professor de biologia evolutiva humana da Universidade de Harvard, Daniel Lieberman, fala sobre como nosso corpo foi se adaptando ao longo dos séculos para as corridas de longas distâncias.

Tudo começou há dois ou três milhões de anos, quando nossos ancestrais resolveram correr para obter a caça ou para fugir de predadores. Concorríamos com animais de quatro patas, muito mais velozes do que nós. Mas Lieberman diz que bem poucos animais correm longas distâncias. Se a locomoção dos quadrúpedes é mais rápida, por outro lado isso os superaquece facilmente em distâncias maiores. Por isso a maioria deles corre alguns metros e precisa parar para resfriar. É aí que entra a vantagem de ter o corpo preparado para correr 5, 10 ou 20km sem parar.

O LONGÃO É NOSSO

Pense num guepardo, um dos felinos mais rápidos do mundo e exímio caçador. Ele pode correr a fabulosos 114km/h. Impossível alcançar um guepardo, certo? Depende da distância. Ele não consegue manter essa velocidade por mais de 1 minuto. Depois desse tiro, precisa caminhar ou parar para poder resfriar o corpo. Os animais controlam a temperatura corporal pela respiração. A famosa respiração cachorrinho, com a língua pra fora. Sem isso, o animal colapsa em pouco tempo.

O que os nossos ancestrais descobriram é que precisavam cansar a presa, correndo atrás dela por longa distância. Sem tempo para resfriar o corpo via respiração ofegante, uma vez que precisavam correr novamente para escapar dos caçadores, as presas se tornavam vulneráveis.

Lieberman explica que, quando corre, o corpo dos quadrúpedes se dobra ao meio, fazendo esse movimento de gangorra em que as entranhas comprimem o diafragma a cada passo. Isso os impede de ofegar e resfriar o corpo durante o galope.

Com os humanos a coisa é bem diferente. Regulamos a temperatura corporal pelo suor, o que segundo Lieberman, é muito mais eficiente. E temos glândulas sudoríparas por todo o corpo. Nossos dedos dos pés são curtos, o que impede que quebrem quando corremos. Os arcos dos pés e os tendões de Aquiles são grandes e funcionam como molas propulsoras. Nosso maior músculo, o glúteo máximo, nos ajuda a não cair durante a corrida. Nossa cintura deixa nossos corpos livres para girar independentemente para lados opostos. Nosso pescoço possui mecanismos especiais para manter a cabeça estável e nossos ouvidos têm órgãos de equilíbrio especialmente ajustados para lidar com as demandas da corrida.

Tudo isso, segundo Lieberman, faz o ser humano ser realmente bom em correr.

Fonte: The Naked Scientists

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